Deputados da oposição e o assessor especial da presidência, embaixador Celso Amorim, divergiram em uma comissão na Câmara dos Deputados sobre os recentes atritos nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Amorim afirmou que as ações dos EUA, como o aumento de tarifas, são motivadas politicamente, e destacou que o governo brasileiro não aceitará medidas unilaterais que afetem sua soberania. “O presidente Lula tem sido firme em reiterar que não aceitaremos que medidas unilaterais sejam utilizadas como pretexto para relativizar a soberania nacional”, disse.
Por outro lado, parlamentares da oposição, como o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Luiz Philippe de Orléans e Bragança, responsabilizaram o governo brasileiro pelas ações do governo Trump, afirmando que a atual postura do Brasil no Brics demonstra um anti-americanismo sistemático.
O deputado Marcel Van Hatten também criticou o governo, alegando que o Brasil agiu de forma agressiva em relação à soberania dos EUA, especialmente em relação ao bloqueio de contas de empresas americanas. Amorim, no entanto, defendeu que os atritos não têm razões ideológicas e que o Brasil está aberto a negociações com qualquer governo.
O embaixador ainda comentou sobre a classificação das facções criminosas do Brasil como organizações terroristas pelos EUA, alertando que essa designação pode ser usada como justificativa para intervenções externas. “Não se pode ignorar que determinadas interpretações extremas da classificação como terrorista já foram utilizadas para justificar operações de força em outros contextos internacionais”, afirmou.
A oposição, por sua vez, defendeu a posição dos EUA e criticou a resistência do governo brasileiro, com o deputado General Girão expressando preocupação com a possibilidade de ações das forças especiais americanas no Brasil. Amorim reafirmou que a soberania do Brasil deve ser mantida e que o combate ao crime organizado deve ser uma questão interna.
