Na manhã desta quinta-feira (1º de outubro), Rio Branco viveu a apresentação de uma nova frota de ônibus, marcada por memória e emoção. O prefeito Alysson Bestene apresentou oficialmente os novos veículos que começam a circular pela cidade a partir desta sexta-feira (2).
Mas, naquele momento, os ônibus eram apenas parte da história. A emoção tomou conta do prefeito ao falar sobre o significado daquele dia. Em meio à celebração, Alysson lembrou da mãe, Antonieta Bestene Lins, a Dona Antonieta, que morreu em 2021, aos 72 anos, vítima da Covid-19, durante um dos períodos mais difíceis da pandemia.
A lembrança tornou ainda mais pessoal um momento que, para o prefeito, representa uma conquista coletiva.
Mais do que veículos novos, a entrega simboliza a tentativa de reconstruir a relação da população com um serviço que, durante anos, foi marcado por dificuldades, ônibus antigos, problemas operacionais e sucessivas medidas emergenciais.
A história recente do transporte coletivo de Rio Branco é marcada por mudanças e crises.
Durante anos, a população enfrentou dificuldades relacionadas à qualidade da frota, à manutenção dos veículos, à regularidade das linhas e à própria sustentabilidade do sistema. Em 2022, a Prefeitura decretou a caducidade dos antigos contratos de concessão do transporte coletivo e anunciou a necessidade de uma nova licitação. A partir daquele período, a operação passou a ser conduzida em caráter emergencial.
O modelo emergencial, porém, acabou se prolongando e a população continuou convivendo com dificuldades.
Em 2026, antes da mudança definitiva, o sistema voltou a enfrentar episódios de forte instabilidade, incluindo paralisações, redução da frota e problemas que afetaram diretamente os passageiros.
Foi nesse cenário que a gestão Alysson Bestene decidiu romper com o ciclo de soluções emergenciais e avançar para uma nova operação do transporte coletivo.
A nova frota chega, portanto, depois de um longo período em que a população esperou por uma solução capaz de devolver previsibilidade, conforto e segurança ao serviço.
Agora, a mudança deixa de estar apenas nos contratos, nos documentos e nas decisões administrativas. Ela chega às ruas.
Motorista profissional há 24 anos, Zenilda Neri sabe o que significa passar a maior parte da vida atrás de um volante. Mas, para ela, conduzir um dos novos ônibus de Rio Branco representa algo diferente.
“É um momento de muita alegria e satisfação. Estou me sentindo muito honrada por uma oportunidade dessa, de estar aqui dirigindo um ônibus novo, maravilhoso. Vai ser inesquecível”, disse.
A fala da motorista traduz o sentimento de uma categoria que também está diante de uma nova etapa.
Para quem trabalha diariamente transportando pessoas, um ônibus novo não representa apenas um equipamento de trabalho. Significa melhores condições para quem dirige e, principalmente, uma experiência diferente para quem passa horas dentro dele.
Para as pessoas com deficiência, a mudança tem um significado ainda mais concreto.
Presidente do Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência do Acre (Capedac), Edivânio Silva comemorou a chegada dos novos veículos e lembrou das dificuldades enfrentadas por cadeirantes que dependiam do transporte coletivo.
<p“Nesses últimos anos a gente vinha sofrendo muito pela falta de ônibus novos, ônibus acessíveis que realmente funcionassem a plataforma. Com isso, vários cadeirantes, colegas nossos da associação, sofriam horas e horas na parada de ônibus”, relatou.
Edivânio afirmou que representantes da entidade já testaram as plataformas de acessibilidade dos novos veículos.
“Hoje, graças a Deus, a gente tem um prefeito que teve a coragem de mudar esse sistema, de trazer ônibus novos para a nossa cidade. A gente já fez o teste, as plataformas são boas, é um ônibus confortável. O prefeito está de parabéns. Parabéns, Prefeitura de Rio Branco.”
Para quem depende da acessibilidade para estudar, trabalhar, ir ao médico ou simplesmente se deslocar pela cidade, uma plataforma funcionando não é um detalhe. É autonomia, respeito. É poder sair de casa sabendo que existe a possibilidade de voltar.
Alysson Bestene, trabalhadores, autoridades e convidados participaram de uma carreata pelas principais avenidas de Rio Branco. Ao longo do percurso, centenas de pessoas pararam para assistir, filmar, fotografar e aplaudir os novos ônibus.
Mas foi na Avenida Getúlio Vargas, nas proximidades do Pronto-Socorro, no bairro Bosque, que a carreata ganhou um dos momentos mais espontâneos e emocionantes do dia.
Um grupo de estudantes que aguardava o ônibus em uma parada começou a gritar o nome do prefeito. Alysson pediu para parar, desceu e foi ao encontro dos estudantes e os convidou para entrar em um dos novos ônibus e participar daquela que se transformou, simbolicamente, na primeira viagem de uma nova fase do transporte coletivo de Rio Branco.
A parada não estava no roteiro, e nem precisava estar. Era apenas a cidade encontrando a própria história no meio da rua.
A carreata terminou em frente à sede da Prefeitura, onde o clima era de festa e celebração.
“É uma simbologia de vida e esperança daqueles que sempre acreditaram em dias melhores”, disse o gestor municipal.
Na chegada, ainda emocionado, Alysson falou sobre o significado daquele momento.
“Muito emocionante. É histórico a gente saber que a gente pode produzir políticas públicas que mudem de fato a vida das pessoas, trazer qualidade, segurança, conforto, melhorar o dia delas quando elas saem de casa, vão para os hospitais, vão para as universidades, vão para as escolas, vão em busca de um novo sonho.”, afirmou Alysson.
“É mais do que um momento. É uma simbologia de vida, para as pessoas entenderem que também nós precisamos respeitar uns aos outros, amar uns aos outros. Quem vive e mora aqui merece esse serviço de qualidade.”, celebrou.
A emoção voltou a aparecer quando Alysson falou sobre sua relação com Rio Branco.
“Eu nasci, fui criado aqui, crio meus filhos aqui. Quero passar os últimos dias da minha vida aqui nessa cidade. Quero vê-la cada vez melhor.”
E foi nesse ponto que o discurso deixou de ser apenas sobre transporte. Passou a ser sobre pertencimento. Sobre uma cidade que o prefeito conhece desde a infância e que agora, na visão da atual gestão, precisa reencontrar a capacidade de acreditar no próprio futuro.
A mudança do transporte coletivo não aconteceu de um dia para o outro. Ela foi precedida por crises, medidas emergenciais, decisões administrativas e um processo de transição que envolveu Prefeitura, empresas, trabalhadores e usuários.
Mas, nesta quinta-feira, tudo isso ganhou uma imagem concreta. Um ônibus novo, uma motorista emocionada, um cadeirante celebrando a acessibilidade. Estudantes entrando no veículo ao lado do prefeito. Uma cidade inteira acompanhando pelas ruas e um prefeito que, em determinado momento, precisou conter as próprias lágrimas ao lembrar da mãe.
A partir desta sexta-feira (2), os novos ônibus começam a circular.
Para milhares de trabalhadores, estudantes, idosos, pessoas com deficiência e famílias que dependem diariamente do transporte coletivo, será o início de uma nova rotina.
Para Rio Branco, fica a expectativa de que a mudança não seja apenas de veículos, mas de padrão de serviço.
E para Alysson Bestene, o dia 1º de outubro de 2026 ficará marcado como o momento em que uma decisão administrativa ganhou rosto, emoção e significado nas ruas da cidade.
Ao encerrar sua fala, o prefeito deixou uma mensagem de esperança:
“Hoje você está passando pela dificuldade, você vai superar essa dificuldade. Tenha certeza disso. Tenha fé em Deus, tenha perseverança, que as coisas melhoram. E a nossa cidade vai melhorar cada vez mais.”
Na manhã do dia 1 de outubro de 2026, Rio Branco não apenas viu novos ônibus, viu uma