Hannah, vítima de violência doméstica e familiar, ainda enfrenta desafios após a separação de seu ex-parceiro, que continua a ameaçá-la. Ela relata: ‘Se você quiser sujar minha imagem, pela minha liberdade, fique à vontade’. A situação dela evidencia a necessidade de avanços nas políticas públicas para combater a violência contra mulheres, mesmo após 20 anos da Lei Maria da Penha.
A norma, que abrange punição, prevenção e acolhimento, ainda enfrenta desafios, pois a violência não cessa com a denúncia. Além dos traumas, crimes como stalking podem se prolongar por anos, com um aumento de 30,1% em registros desse crime em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Hannah, que se separou em 2018, enfrenta uma batalha judicial contínua, e seus filhos também sofrem com a situação. ‘Ninguém da equipe multidisciplinar quer pegar meu processo. É o caos’, desabafa. A violência vicária, que atinge filhos para causar sofrimento à mãe, foi recentemente incluída na legislação.
Estudos apontam que a alienação parental é uma nova forma de violência de gênero, usada por ex-parceiros para silenciar mulheres que denunciam abusos. Hannah relata que, após uma decisão judicial, o pai de seus filhos conseguiu acesso a eles, o que a deixou desesperada.
A violência doméstica é complexa e não se limita a agressões físicas. Hannah, que começou a perceber os abusos durante o relacionamento, destaca a dificuldade de romper com esses ciclos, especialmente quando não há marcas visíveis. Ela enfrentou dependência financeira e emocional e sentiu o peso do julgamento social.
Apesar dos desafios, Hannah conseguiu romper o ciclo de violência, passou em um concurso público e hoje se dedica a estudos sobre inclusão de pessoas com deficiência. O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) busca implementar soluções para proteger as vítimas e interromper os crimes, através de grupos reflexivos e outras iniciativas.