Na aldeia Yawatxivã, no Rio Gregório, em Tarauacá, os povos Yawanawa e Noki Koi tiveram acesso a serviços essenciais, como emissão de documentos, atendimentos jurídicos, saúde e assistência social, nos dias 9 e 10 de novembro.
Um dos destaques foi Katê Yuvê, conhecido como Pai Nani, que aos 62 anos conseguiu incluir sua etnia Yawanawa em seus documentos. Ele expressou a importância desse reconhecimento: “Yawanawa para nós significa muita coisa: nossa história, a língua, o costume, nossa cultura”.
A inserção de etnias e nomes indígenas em documentos é uma conquista recente, garantida pela Constituição Federal e regulamentada pela Resolução n. 454/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Provimento n. 2/2025 da Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) visa desburocratizar esse processo.
Outro caso significativo foi o de Mãsheru, de 62 anos, que conseguiu mudar seu registro de Rock Manoel Carioca de Souza Yawanawa para Rock Yawanawa, refletindo sua identidade indígena. “Eu queria tirar o Manoel Carioca de Souza e deixar só Rock Yawanawa. Eu lutei muito por isso”, afirmou.
O Projeto Cidadão, que atende os povos originários desde 1995, passou a focar na inclusão étnica a partir de 2021. O juiz substituto Ricardo Cavalli ressaltou a importância da Justiça em se aproximar da realidade das comunidades: “O Projeto Cidadão traz justiça e cidadania para a população da aldeia”.
A ação também ofereceu serviços de saúde e assistência social, com a presença de um médico para perícias. O pequeno David Rodrigues Yawanawa, de sete anos, pôde solicitar um benefício social, facilitando o acesso a serviços essenciais para sua família.
O trabalho é coordenado pela Coordenadoria de Apoio aos Programas Sociais (Coaps) do TJAC, em parceria com diversos órgãos, e visa garantir a emissão de documentos e evitar a evasão escolar entre crianças Noki Koi.
