O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) lançou um projeto que visa oferecer oportunidades de trabalho e formação para mulheres egressas do sistema prisional, enfrentando o preconceito e a rejeição no mercado de trabalho.
Ana Lídia Paolino, de 28 anos, é uma das beneficiadas. Após enfrentar dificuldades para conseguir emprego devido ao seu passado, ela encontrou no projeto social ‘Memória, História e Transformação Social’ uma chance de recomeçar. ‘Não foi uma, nem duas portas que se fecharam para mim’, relata Ana, que agora trabalha no TJAC e contribui para a renda familiar.
De acordo com o juiz do Trabalho Daniel Gonçalves, o preconceito é uma das principais barreiras para a reintegração de egressos. Ele destaca que, das mais de 5 mil pessoas privadas de liberdade no Acre, apenas cerca de 700 estão inseridas em atividades laborais.
O projeto surgiu da necessidade de organizar um acervo documental do Judiciário, ao mesmo tempo em que oferece formação e trabalho para mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo reeducandas e vítimas de violência doméstica. A juíza Zenice Mota, que acompanha a iniciativa, enfatiza que o objetivo é permitir que as participantes saiam com algum tipo de formação.
As mulheres envolvidas no projeto têm a oportunidade de concluir o ensino médio e, atualmente, algumas estão cursando ensino superior com bolsas de estágio. Ana Lídia, por exemplo, estuda licenciatura em Pedagogia e já não depende mais do Bolsa Família.
O projeto também se alinha às diretrizes do Pena Justa, que busca utilizar trabalho e educação como ferramentas de reintegração social. A magistrada Zenice ressalta a importância de oferecer formação e perspectivas durante o período de privação de liberdade, aumentando as chances de que essas pessoas não retornem ao sistema.
